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sábado, 30 de junho de 2012

O velho livro de meu pai

Entre alguns objetos herdados do meu pai está um velho livro de capa azul, sujo e comido por traças. Nunca nos desfizemos dele, porque foi achado no seu interior fotos do meu avô; um papel assinado pelo minha mãe, falecida muito anos antes; uma flor seca; alguns documentos... Os livros expressam uma vida e a personalidade de seus donos. Se eles estão rabiscados ou muito manuseados, essa vida fica marcada no seu interior.
Não havia me interessado em ler o conteúdo dessa obra até poucos dias atrás. Seu título é “A chave da felicidade e a saúde mental”. É uma tradução do castelhano, e tem por autor Marcelo J. Fayard, que é identificado na apresentação como psicólogo e filósofo. Não encontrei a data de sua edição, mas, desde pequena, lembro-me de ver este livro nas coisas de meu pai. Na verdade eram duas obras literárias que ele sempre manuseava: este, e um de Medicina no lar. Meu pai não tinha estudos, acho que nem completou o antigo primário e, com exceção de jornais e da Bíblia, não sei se exercitou  outras leituras.
Descobri nas páginas desse livro várias mensagens de autoajuda em forma de histórias reais e lendárias. Seus ensinamentos são por valores morais e espirituais, e o autor explica na introdução que o seu objetivo é apresentar o quadro da felicidade completa, indicando como único método para alcançá-la a evolução espiritual de cada um. Uma frase sintetiza seu pensamento: a felicidade depende de nós, de nossas lembranças e dos hábitos de pensar que hajamos adquirido... O livro não prega uma religião específica, mas sim, a valorização da espiritualidade e do humanismo.
Na simplicidade das palavras do autor (ainda um desconhecido para mim), visualizei a filosofia de vida de meu pai, expressada em suas atitudes diárias, em especial na valorização da família, não só no grupo nuclear, mas na família extensa, através da enorme afetividade e respeitos pelos seus pais, irmãos e sobrinhos. Sua honestidade e retidão de caráter, além do grande senso de responsabilidade, também são exemplos vivos dos valores defendidos na obra.
Compreendi o valor de uma leitura sadia e inteligente, e a enorme influência que ela pode produzir nos ideais e na postura de uma pessoa. Eis o desejo do autor expressado no seu prólogo: Pretendêramos esboçar a centelha filosófica da vida que, em nossa experiência pessoal e na de muitos outros demonstrou a sua eficácia como a mais condizente com a satisfação verdadeira...o que com o coração conseguimos no decurso dos anos, com ele oferecemos; se nossa oferta chegar ao coração de alguns leitores e os induzir a por em prática e repartir com os outros o segredo da felicidade verdadeira, haveremos conseguido colimar a aspiração que nos susteve na elaboração deste trabalho. Posso afirmar, mais de cinquenta anos depois, que ele teve sucesso. No coração de um homem simples e rude, suas palavras encontraram guarida. E oportunizaram, nos dias atuais, meu reencontro com uma das pessoas que mais amei na vida: meu pai.

Um comentário:

  1. Que coincidēncia! Hoje encontrei esse livro entre os livros do meu pai, falecido há muitos anos. Também procurei a data da edição e nao achei. Pela foto, é a mesma edição. Procurei na Internet e vi que tem varios usados para vender e achei esse blog com a foto. Dei uma olhada no livro e concordo com seus comentários. Vou lê-lo. Abraços. Mello.

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